As pernas que caminham já me deixam levar pra estradas mais
floridas e ensolaradas. As flores que cantam um perfume suave me dizem para
continuar e não desistir de brilhar. Os tijolos dessa estrada me fazem lembrar
a infância. Parece que a qualquer momento posso cair e ralar o joelho, assim
como nos meus nove anos de idade. Mas a dor do joelho ralado não afeta a
brincadeira. Deixei de ser criança, mas meu coração ainda é aventureiro: se
arrisca, e tem medo de amar demais, ou amar de menos. Nunca é não amar.
As nuvens estavam ali, confiantes, me afagando com sua beleza
grandiosa. Me diziam para confiar, me diziam para andar cada vez mais e ver o
mundo, vê-las de diferentes partes do mundo. Essas minhas amigas me acalmam de
um jeito incrível. Elas me dizem que tudo ficará bem, que lá de cima conseguem
ver claramente isso.
A vista da estrada é diferente sempre, mas o verde, misturado com
o azul do céu e evidenciado pela luz forte do sol, me encanta. Me dá
forças. é como se o verde criasse raízes em mim a partir do momento que o
observo e admiro. Me envolve e me encanta. Eu me sinto uma flor, uma árvore,
uma semente, me sinto natureza, me sinto tudo. Me sinto água, que é vida que me
impulsiona. Se chove na estrada, agradeço, me alimento, e fecho os olhos para
sentir os pingos.
As folhas, as flores, o carinho, a água, a luz, as nuvens, o
verde. As nuvens representam a água que amo. A água que conhece o mundo, que é
do mundo mas o vê de forma ampla: se renova, assim como eu, Renata, renasço
sempre um pouquinho a cada passo.
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