O escritor morre cedo. Carrega suas dores nas palavras
escritas e segue introspectivo em seu mundo de letras e períodos e frases e
pontos.
Parágrafo, maiúscula, frase.
O escritor morre logo por carregar demais seu mundo em suas palavras. Cada palavra, uma responsabilidade. Cada ponto final representa mais uma construção em seu mundo.
Parágrafo, maiúscula, frase.
O escritor morre logo por carregar demais seu mundo em suas palavras. Cada palavra, uma responsabilidade. Cada ponto final representa mais uma construção em seu mundo.
O escritor sofre sozinho. Escrevendo, só ele e suas frases sabem a dor que
carrega. Quem escreve sente em silêncio, apesar de rodeado em palavras. São as
palavras escritas as palavras que não conseguimos falar. Costuma ser assim, não
sou dona da verdade. Costumo sofrer sozinha com minhas milhares de palavras que
simplesmente servem para eu aliviar meu coração, e para mais ninguém. Às vezes
serve para eu seduzir alguém com minha perspicácia e inteligência em unir
períodos e ideias. Mas, na maioria das vezes, serve para que eu diga tudo aqui
que venho pensando e não acho que devo dizer, devo gritar, devo falar. Acho
sempre que preciso escrever para me recompor, e continuar vivendo sem que me
incomodem. O ponto é que minhas palavras escritas costumam expressar meus
incômodos, meus sentimentos dos mais variados tipos, em forma de palavras: seja
metáfora ou não, se limitam em palavras que não foram ditas. Não
necessariamente ditas naquela ordem, para aquele ideia, para aquele momento.
Talvez escrever represente o quão sozinha e desiludida estou.
O escritor morre cedo e sozinho, e em silêncio: aos pouquinhos, as palavras
pesam e o coração já não aguenta acumular tanta coisa assim em forma de
escritos que nunca foram ditos. O não dizer torna o escritor um tolo, um
orgulhoso, um sozinho. Um tudo, dentro do que parece nada.
Texto de 15/02/2015
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