domingo, 1 de setembro de 2019

Doer um pouquinho

Finais são as coisas mais difíceis de eu entender, emocionalmente dizendo. Eu simplesmente não sinto que está tudo certo. Eu não confio o suficiente para não me abalar. É, deve ser isso...eu não confio o suficiente em Deus pra eu simplesmente aceitar.
Seguir em frente eu sigo, claro. Eu quis seguir em frente, e está bem claro isso dentro de mim. Eu pedi pelo final, eu vi que ele era eminente fosse agora ou daqui um ano, ou daqui cinco. Não havia porque continuar algo que dentro de mim não fez uma boa morada. Eu me sentia presa, estranha, incomodada. Todo tempo que eu podia pensar sobre qualquer coisa, eu pensava sobre isso. Sobre o quanto eu me sentia aflita e sem ânimo. Era o peso. Era o peso de saber a verdade: eu não tava feliz.
Então eu decidi sair disso tudo, e sai, usando as palavras mais gentis que consegui encontrar. Fui intimidada praticamente em falar tudo, e tudo eu falei. Não devia ter falado tanto, ter falado apenas porque me pedem. Eu não preciso abrir todas as páginas do meu livro. Eu não precisava ter dito tudo, mas disse porque me pediram. E fui leal a isso. Fui leal à sinceridade que tanto me gabava. Mas, será que eu precisava?
Depois, de eu ter sido a mais sincera e madura possível, jogaram na minha cara que não tava sendo sincera ou madura. Ouvi que me faltava comunicação. Em três meses eu não devo ter sido nem comunicativa nem sincera com quem eu mal conhecia, pelo jeito.
Fico refletindo e penso que mesmo se eu falasse menos, tudo seria jogado na minha cara de volta, de qualquer forma. Afinal, é isso que diversas vezes vivi. Por mais sincera, honesta, comunicativa e gentil eu pense ser, diversas vezes acabam por dizer que a culpa foi minha, afinal. Não sei se apenas tô fazendo as mesmas escolhas de companhia ou se realmente eu só tenho errado de uns anos pra cá.
Finais são incrivelmente difíceis pra mim. Eu não os entendo porque, quando eu me sinto bem quanto a isso, parece que estou errada em me sentir bem. Não que eu esteja plena, cem por cento segura...eu só tomei a decisão que me cabia, eu escolhi me amar e me afastar. Escolhi não machucar mais o que já estava machucado: o meu e o outro coração. E acho que fiz certo. Mas parece que não posso me sentir bem em decidir, não posso me sentir tão bem em tomar a vida com minhas próprias mãos (até onde isso é possível) e decidir me amar. Mas eu sei que é só aparência. Eu devo sim me sentir bem, e não devo pegar as dores dos outros, por mais que me doa ver o outro doendo. É meu aprendizado...fazer por mim, e por mim em primeiro lugar.
Não quero mais gastar energia onde não há troca. Não quero mais me sentir culpada em estar bem. Não quero mais ter tanta coisa sendo jogada na minha cara, sendo que eu fiz o meu sincero melhor. Errei, claro. Todos erram. E não deixo de admitir quando percebo que errei, mesmo que essa percepção veio de outra pessoa. Eu só quero paz. Sentir a minha prometida paz de espírito quando eu decido coisas sobre mim mesma. Talvez apenas me falte treino, talvez isso tudo seja parte do caminho, seja tudo parte do aprendizado de assumir minhas ideias e decisões. É, eu acho que é. Crescer não é tão simples. Vai doer um pouquinho, afinal.

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