Não sei mais escrever aqui aqueles textos dramáticos e exuberantes. Não sei mais escrever algo mais profundo do que dizer que às vezes sinto um aperto no peito que me paralisa. Tudo que escrevo aqui parece como uma carta aberta bem direcionada, ou então uma página de um diário adolescente.
Estou ouvindo algumas músicas que ouvia nos momentos em que estava tentando sair mais dessa história toda. Estava aqui tentando me entender e lembrar-me de como me sentia ao viver essa separação tão necessária, apesar de tão difícil. Por que foi difícil? Não sei, até hoje, explicar.
Repito para mim mesma que mereço o amor, mas ao mesmo tempo que creio com todas minhas forças nisso, me sinto um pouco fraca por sentir também uma grande culpa por não ter feito o suficiente. Sempre sinto como se eu pudesse ter ido mais fundo nessa história, mais fundo que todos os choros e abraços que compartilhamos, todas as conversas dentro do carro tentando compreender o que acontece quando estamos próximos. Não sei se deveria ter ido mais profundamente em algum momento, onde me descuidei, onde poderia ter feito melhor. O que mais poderia ter te dado? Muitas coisas, mas não sabia disso naquelas épocas. Mas dentro do que a gente entendia, acho que dei tudo que conseguia. Entreguei meu coração e, mesmo que às vezes tentasse resistir, ele era mesmo seu.
Até que começou a não ser suficiente isso. Faltava algo. Foi por isso, não foi? Era um "algo" invisível, que a gente mal sabia descrever. Só faltava aquele espaço que, por algum motivo estranho e que eu ainda não consegui entender, não era completo. Tinha um grande vazio dentro de um quadro cheio de cores. Não sei explicar. Nem você, eu acho. Só sei que nós dois sentíamos demais.
Esse grande e não identificável vazio não foi - ou pelo menos, não ainda - maior que todo amor que existe - ou, pelo menos, existiu. É aquela coisa...amor, na minha humilde opinião de 26 anos, não morre. Um amor não toma o primeiro ônibus e simplesmente vai embora. Mesmo que seja o vigésimo oitavo ônibus, não acho que o amor se vai. Ele fica de alguma forma. Vai se transformando em um amor diferente. Esse, com certeza, é um amor resistente. Nem sei se faz sentido pensar sobre ele, ou mesmo dar ouvidos a ele e de fato senti-lo. Eu só me impressiono com sua permanência...me impressiono com esse grande 'e se' que já foi muitas e muitas vezes testado e verificado.
Não é para ser, né? Pois é...mas, por que? E por que não?
Não sei responder. Não sei. Não quero. Não sei.
Parece que poderia ter sido o mundo, mas apenas...não foi.
sexta-feira, 26 de junho de 2020
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