Talvez esse texto inaugure uma jornada de textos sobre como estou depois desse amor que vivi. Foi o relacionamento mais longo que tive e mais intenso. Infelizmente, intenso demais. Meu coração saiu disso mais machucado do que eu em dou conta, e eu não sei o que fazer com essa informação. Só sei parar e cuidar do meu coração, mas ai às vezes eu acho que estou pegando leve demais comigo e começo a achar que já estou toda boa. Eu não estou boa. Eu sai de um sonho que não era mais sonho há uns dois anos. Mas era extremamente difícil admitir que eu, simplesmente, não estava mais feliz. Quer dizer, isso é complexo. Eu estava feliz, mas ia me machucando pequenos momentos. Eu não sei se sou sensível demais ou se escolhi, realmente, uma pessoa egoísta. Fico pensando "mas não é todo mundo assim?". Eu justifica tanto o que você fazia que passei a normalizar. E normalizei coisas que me feriram. E agora acho que essas coisas devem ser normais mas, quando conto para alguém, me falam o quanto eu fui boazinha demais, o quanto eu fui passiva demais. Eu fui...porque te amava profundamente e fazia sentido te amar sob todos os aspectos. Até mais do que eu mesma. Quem se importa com o que eu acho? Você sempre tem mais razão que eu. Sabe argumentar melhor, né. Fala com segurança que me faz achar que eu estava ficando louca. Que doido pensar que vivi isso tão normalmente por uns dois anos.
Digo dois porque tudo desandou no meio do relacionamento. No começo eu achava que você era perfeito pra mim, que finalmente tinha encontrado um cara que a energia batia, que as ideias se encaixavam, que um ajudava o outro sempre. Mas depois de um tempo você foi me ensinando que eu não precisava de você para fazer absolutamente nada, nem aquilo que eu achava que era seu papel como namorado fazer. Não...eu lido com meus medos e receios sozinha. Eu cuido da casa sozinha. Eu resolvo isso. Dou um jeito. E você? Se prestava a uma papel meio inútil, devido a sua grande indiferença a tudo. Acho que a ferida mais aberta foi a indiferença que você demonstrou. Eu não era nada, nem servia para receber um bom dia. Mas ai você mudava o humor e exigia que eu estivesse feliz mesmo depois de ter sido ignorada por você. Como que eu posso me manter sintonizada se tudo isso acontecia? Como que continua admirando você se você me tratava, em geral, mal?
E até hoje eu resisto muito em dizer que você me tratava mal. Porque parece pesado demais. E você não era assim o tempo todo. Mas era muitas vezes. E quando eu dizia que me incomodava, você dizia que eu exagerava ou que entendi errado. Ou era taxada de sensível demais ou de burra, em outras palavras. Também resisto em escrever e afirmar isso, mas analisando bem....era exatamente assim.
Faltou maturidade. Talvez educação ao longo da vida...ficava me culpando por ter escolhido um cara tão mal educado...e que não parece assim. Mas é. Não faz questão de ser simpático, não faz questão de agradar, não faz questão de ouvir o outro. Que pessoa difícil. Se fosse só eu que falasse isso...mas não era. E eu resistia. Justificava. Era só o seu jeito! Que seja, sem problemas. Mas não quero conviver com esse jeito, tá certo? E eu diria que hoje é simples assim. Continue sendo você, tá ótimo. Só não quero mais conviver com você. Pode se manter igualzinho, eu não me importo mais. Me importei muito. Mas de novo eu pegava as coisas pra mim e tentava resolver.
Suas críticas era que eu não conseguia ver o seu lado e também que via mais o lado negativo das coisas. E eu ficava me culpando pensando "poxa, será que não estou sendo compreensiva o bastante?". A sua percepção imatura me trazia uma reflexão doentia. Nem suas críticas me faziam crescer. Eu não descobri coisas sobre mim porque estávamos juntos nos ajudando. Eu percebi coisas sobre mim porque você se afastava e era indiferente e eu percebia o quanto eu era capaz de realizar diversas coisas.
E agora tudo me lembra você na casa que eu moro, que é a casa que a gente construiu juntos. E eu fico com a parte mais difícil que é conviver com a sombra desse relacionamento diariamente. Eu que lido com as cores das paredes que escolhemos juntos. Eu que lido com os pratos que decidimos juntos. Eu que durmo nessa cama que não tem mais você. E apesar de eu querer muito que fosse embora da minha vida, você ficou e eu fico com saudade dessa lembrança. Lembrança dos dias bons, dos bons momentos, momentos em que eu sentia que você me percebia e cuidava de mim. Isso existe, você que escolhe não praticar. E isso que me deixava triste...e me deixa até hoje. Tudo que poderíamos ser e não fomos. Tudo que poderíamos viver e não vivemos. E não sinto que foi por falta de insistência da minha parte. De busca por um relacionamento saudável. Eu busquei. Eu lutei. E você?
Texto de 15/03/2026
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