segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Recompensador

Ah mas se eu soubesse me controlar um pouquinho, a ponto de fingir que estou ótima e não vir me declamar a este blog minhas pitangas chorosas. Assim, fingindo que estou ótima e nem pensou direito nisso tudo que me acomete a alma e os sonhos, talvez acabe mesmo por ficar ótima. Essa estratégia é mesmo muito boa e acho que tenho chances de chegar ao resultado esperado. Afinal de contas, eu estou mesmo ótima. Claro, com um pouco de calor fora do normal por conta desse sol de janeiro, mas é só isso. Eu não estou tão triste assim em saber que simplesmente tal cara não me dá um fora decente, me dando um pequena parcela da dignidade e consideração pelo meu bem estar que eu acho que ele deveria me dar. Eu não estou me martirizando por me achar alguém quem não sabe interagir com um diálogo normal, divertido e espontâneo com alguém; alguém que está sem paciência de interagir em geral. Não, eu estou bem. Bem na medida em que posso procrastinar meus trabalhos acadêmicos e usar minhas horas para ficar quietinha no sofá da sala, com um belo de um ventilador, vendo televisão, ou lendo algum livro qual espero que o final seja bom ou, ao menos, recompensador.
Recompenso a dor por me mostrar que estou melhor do que eu esperava, e então entrego a ela toda minha energia. Eu sei, essa parte é um erro. Eu recompenso a dor por ter me mostrado que apesar de doer, sou recompensada pela verdade de ser. Ela merece meus agradecimentos por ter existido em mim. Ela merece que eu a recompense, apesar de ter sido um trabalho tão difícil se mostra, desabrochar; enfim, doer. E faço isso, aos pouquinhos, tentando vencer qualquer dorzinha de cotovelo que me acomete, ou então, dando minha energia a essas dorzinhas, dando valor a cada uma delas. Dar valor e isso tudo me faz uma pessoa mais atenta, mais ligada à verdade que a dor principal me mostrou. Mas, ao mesmo tempo, me faz ficar sem energia para mais nada, para mais ninguém, quase que nem para mim mesma.
Então, eu vou continuar fingindo que eu estou bem e bem disposta a tudo, para que no final eu acabe por me tornar mesmo alguém disposta. Eu preciso, de alguma forma, vencer esse calor de janeiro e esses meus pensamentos pessimistas que me tomam de assalto no meio da tarde, no meio das horas, me cortam os minutos de sossego e atingem meu coração. Preciso, com pensar, recompor a ordem e pensar a vida, antes que eu tenha que recompensar qualquer dor de novo.

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