sábado, 13 de junho de 2015

A iniciativa, inteligência e a razão

Então chega o momento que me lembro porque gosto de escrever. Meu coração dessa vez não se incomoda com aqueles amores encruados ou então com processos de esquecimento. Não é disso que ele se aflige hoje. Desta vez está meu coração ligado com minha mente e minhas costas: há muita responsabilidade sobre mim, e às vezes isso me pesa e eu fico um pouco agitada - se fosse um pouco, tava bom. 
São nessas horas que penso que preferia estar sob aqueles muros azuis como aluna, que trazia seu problemas pra escola e escrevia numa folha qualquer as coisas da vida - e ai sim dos amores encruados e de esquecimentos. Prefiro às vezes ser a menina que cantava em alguma sala da escola com seu companheiro que tocava violão, e que aprendeu ali como gostava de música. Preferia ser aquela menina que lutava por coisas melhores lá dentro, com a voz de aluna: desse lado, eu podia ter meus exageros, minhas crises, meus desabafos. 
Hoje, eu sou outra, simples assim. Já faz quase quatro anos que encerrei meu ciclo ali dentro - e, eu diria, que encerrei de uma forma especial e muito querida - e sou outra menina. Nem sei bem se ainda sou menina. Sou agora a parte da professora que sempre esteve em mim, sempre esteve junto com aquela mesma menina citada ali em cima. A mesma menina que explicava a matéria e fazia seus resumos, que ajudava seus amigos e estudava para as eternas provas de uma vez por semana. Agora, ao invés de resumos feitos a mão e colas passadas, eu sou a professora que explica, que ajuda, que dá atenção e observa as pessoinhas que estão ali, olhando pra mim. Essa questão eu me sinto realizada. E eu adoro muito ser a professora.
Acontece que, apesar de eu amar quem eu sou hoje, eu também gostava de quem eu era dentro daquela escola como aluna - adora sofrer por aquela paixão dos olhos verdes, adorava cantar ao lado de outros meus amigos, adorava ser alguém que conquistava cada dia mais algo novo, e que tinha esperança de mudar o mundo. Hoje, não deixei de acreditar no mundo, mas sou mais realista. Fico utópica e, ao mesmo tempo, coloco a mão na massa dentro da sala de aula que me ensinou a sonhar. 
Apesar das diferenças, meu coração ainda é o mesmo. Ele ainda ama sem fazer esforço, ele ainda quebra a cara, ele ainda se desespera um pouco, ele ainda se machuca e ainda se cansa um pouco. Meu coração é o mesmo pois percebo o quanto amo o lugar que trabalho hoje, por tudo que ele já representou pra mim e me fez bem. Não consigo separar o antes do depois. Que dilema histórico que temos aqui! Afinal, olho para aquela rampa e muitas vezes me transporto para o momento que me declarei e, pela primeira vez na vida, senti um coração bater junto ao meu. Olho para aquele parquinho e penso na primeira aula que matei, ao lado de pessoas que gostei tanto. Meu dilema histórico é estar de frente a minha historicidade, e ser nostálgica demais. Meu dilema histórico é estar de frente a um documento julgando com os olhos do presente, misturando o olhar do passado e convertendo as coisas passadas como um mundo cor-de-rosa.
Tá vendo porque escrever me faz bem? Descobri agora que preciso ser cada vez mais profissional e usar minha paixão - que aprendi a usar e colocar em prática dentro daquele lugar - para outro canal. Preciso canalizar minhas saudades e segurar minha vontade de voltar. Eu amo quem fui, mas amo ainda mais quem sou! Afinal, só sou hoje por ter sido ontem. Preciso olhar aquela rampa com carinho, até um dia deixar em total silêncio minha nostalgia. Talvez não deixe pra lá todas as histórias vividas ali por medo de esquecer. Descobri que tenho medo de esquecer. Mas não há como esquecer tento um blog desse desde 2008. Nada está perdido; tudo está transformado na pessoa que sou hoje. O melhor é que sei que vou me transformar mais e mais e, se tudo der certo, mudo sempre pra melhor.
Sendo assim, eu respiro, escrevo e me lembro de quem sou antes de me perder no turbilhão de responsabilidades que tenho. Crescer é difícil, é difícil ser adulto e talvez seja esse o porquê de tanta nostalgia em mim. Mas eu cresci e não dá mais pra negar. O trabalhador estava pronto, e por isso veio o trabalho! Se eu não acreditasse que tudo tem uma razão, talvez estivesse maluca hoje....se bem que estou maluca da mesma forma! Então que seja, e que eu encontre calma para realizar tudo que preciso: "palavra, pensamento e atitude em comunhão!"

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