segunda-feira, 3 de outubro de 2016

À vontade

Meu lugar favorito para pensar costumava ser o céu. Faz tempo que não me perco nas nuvens amigas pairadas no horizonte, este que vibra com todos os sonhos que eu prometia a ele. Era o céu. E eu me permiti me perder nas ilusões mundanas e me esqueci de olhar para o céu. Me permiti viver sem o mais rico dos olhares, o mais fértil dos lugares, a mais doce poesia. Eu me perdi. Não me reconhecia. Nem escrever, escrevia. Nem gargalhar sem medo. Eu só vivia num mundo recheado de ilusões. Me iludi que aqueles olhos eram bonitos. Os meus olhos que são, e são tanto que...valha-me Deus! Fui te enxergar bonito. Foi eu mesma que viu o que não tinha, o que não existia. Ou melhor, eu vi o que estava há camadas e camadas de distância. Todo mundo é bom, afinal. E eu insisto em sentir e em crer nisso. Acho que gosto do céu porque ele também acredita nas pessoas. Mas sua sabedoria infinita sabe o que fazer e conhece o tempo de cada um. 

Eu que não ouvi o céu, esqueci das nuvens, me desliguei das estrelas. Eu só ouvi uma pequena parte de mim, e o resto eu deixei lá fora. Da porta para fora. Que prepotência! Eu quero mesmo é abrir as janelas, deixar o céu entrar. E deixá-lo ficar por quanto tempo quiser. 

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