segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Alma

Essa segunda feira começou como tinha que começar. Chovendo de leve, um frio, e eu sem muita hora exata para acordar. E então acordei até que cedo, e comecei a fazer tudo que eu tinha que fazer. E tudo deu certo. Mas teve uma hora do meu dia que eu resolvi ler o que eu já tinha escrito sobre mim e sobre as coisas que já aconteceram comigo. E eu me dei conta, mais uma vez, o quanto apaguei tudo de melhor que tinha escrito aqui. 
2015 foi um ano cheio de coisa nova e coisa velha, e eu sempre a postos para escrever. E eu tinha tanto para falar, e tanto para esconder, que não falei, mas escrevi. E mantive aqui, só para mim, e para alguns desavisados que se arriscam boiar por aqui. 

E então eu encontrei um ano de 2016 maravilhoso. Começou com a melhor das Renatas que já conheci. Eu era a melhor que eu já tinha conhecido. E eu me distrai...me distrai na inocência de achar que tudo estava bem, mas tão bem, que não havia necessidade de olhar para mim mesma. Eu confie tanto, mas tanto em minhas escolhas, que nem refleti mais sobre. E um pesadelo se instaurou em mim durante todo meu mês de julho. Tirei férias de mim, dos meus sonhos, dos meus planos, dos meus textos. Renata saiu e não voltou mais. Essa era a sensação - não havia mais no que me apoiar pois eu mesmo não estava ali. Nada mais justo e bucólico achar que a estação do ano combinou com o momento - tudo esfriou, os olhos perderam o brilho, e eu fiquei oca, nada mais nascia ali. Meu peito aberto tomou um soco bem grande. E eu estava ali, achando que estava tudo bem. 

Um dia eu escrevi que as lágrimas saiam de mim sem eu perceber, como um time de futebol americano, com todo aquele uniforme, com aquela brutalidade. As lágrimas me tomavam de assalto e eu nem mesmo sabia quando esperar por elas, como as controlar, e porque exatamente estavam tendo a audácia de saírem por ai a hora que quiserem. Mas eu estava assim - e cheguei a pedir para Deus que fosse só um sonho ruim. Eu me sentia num grande sonho, numa brincadeira de mal gosto, num filme americano adolescente, numa tragédia - ou farsa?

Um dia eu escrevi também que eu me olhava no espelho, me arrumava toda, mas continuava com a mente nas coisas que tinham acontecido. Eu nem mais me olhava direito no espelho, eu já não me arrumava mais, e os elogios, tão banais, eram como numa fita, que se repetia meio que no automático. Não importa quanto ele falasse, eu não me sentia bonita, nem especial, nem a melhor das mulheres. Afinal, eu sempre estava errada de alguma forma. 

Esse sentimento de erro estava certo. Afinal, eu sentia lá dentro que fazia uma mudança em minha casa, mas ainda precisava dormir lá. Sentia como se o quarto todo tivesse vazio, mas eu esqueci o endereço de onde ficava o novo quarto. Cadê as coisas que fazem Renata na Renata? Nem escrever mais eu escrevi. Se o amor não me desperta vontade de me expressar em palavras, não é Renata.

E tudo que já escrevi sobre a vida, sobre mim, foi movido de amor por mim mesma. Amor pelos meus sonhos. Pelo meu próximo. Pelo sol e pela lua. Pelas flores que passam, desavisadas, em nossas vidas, mas coloridas. Pela estrela que brilha sempre no meu horizonte. Pelas coisas que me fazem ser apaixonada pela vida. Eu sou é assim mesmo, e eu que tento não me definir...eu amo a vida. E espero que eu não deixe mais que esse brilho apague - que o brilho só aumente mais e mais! Preparem-se...as janelas estão abertas, a luz do sol entra e me fortifica, e o vento me diz "vá, menina. Voe por ai, que é o que sabe fazer. É só pensar em coisas boas!"

E o corpo fica pequeno perto de tanta alma.

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