segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Passa e fica

Saudade. Por que ela sempre me toma de um jeito maluco quando a noite chega? Por que eu penso que devia ter aproveitado mais...sido cada vez mais a Renata que sou. Mas...acontece que eu só sei um pouco quem hoje. Antes eu nem sabia direito, sabia com aquele olhar, que já mudou. Mudou tanta coisa desde que o silêncio tomou conta da sala de estar e o teatro mágico ao som na piscina invadia os ouvidos e as gargantas...Mudou tanta coisas desde que me acompanhavam até em casa. Mudou muito desde que o mar se colocou estrondoso em nossa frente, junto com nosso consentimento, por estarmos em silêncio. Mudou desde que aquelas luzes nos deram coragem, e as conversas duravam ao telefone, duas horas...Mudou tanto desde que eu choro escondidinha com medo de ter que se machucar por mais alguém como daquela vez. Desde aquela ligação na virada do ano, tá tudo muito muito diferente. Tá tudo diferente desde que nos encontramos pela primeira vez. Tá tudo diferente desde que eu dei o primeiro abraço profundo, espontâneo. Desde que eu aprendi a abraçar quem eu gosto, as coisas estão diferentes.
O cheiro, o gosto, os lábios, as sensações, as vontades... tá diferente.
Eu sou outra e não seria ninguém além de mim mesma após tudo isso. Essa noite é mais uma noite em que eu desejo tudo que tenho dentro de mim para a lua. Lá do alto, ela dá um beijo de boa noite e ajeita a coberta. Ajeita as coisas, abraça bem forte, e sorri.
Se eu fosse a lua, faria tudo isso. Só para sentir o cheiro, os lábios, as sensações, as vontades. As mesmas, ou as novas. Tanto faz! Que seja tudo. Que eu possa viver por alguns segundos tudo aquilo que há marcado em mim como sendo único e eterno.
Penso em ser lu,a pois me sinto imensa, expandindo. Tem coisa dentro de mim, tem mesmo muita coisa dentro de mim. Eu vou descobrindo um pouco a cada dia. Descubro que não sou oca, superficial. Descubro que faz tempo que não penso na vida, além da minha vida. Percebo que estava tudo um pouco fosco, mas que havia ali dentro, todo esse tempo, eu mesma, oras! Eu vou me surpreendendo comigo mesma, e agradeço. Agradeço por estar começando a gostar de mim de verdade. Começo a assumir minhas vontades e meus sentimentos. Começo a pensar em como lidar com tudo sem fazer bobagem. E é fato, eu vou acabar fazendo bobagem. Mas o ponto é que estou me abrindo para que as bobagens sejam feitas, assim como as não bobagens: vida, vida em abundância.
Então me disfarço de lua daqui de baixo. Saudo os tempos que estão registrados como únicos dentro de mim. Foram registrados assim porque eu vivia e sabia que seria tudo único e especial. Por isso, aquele violão e mensagem na camiseta velha são únicos e eternos. O mar e toda a coragem que a maresia me deu ficou num dos lugares mais sublimes da minha salinha do coração.

O que de fato não mudou foi minha vontade de escrever. Sobre tudo! Sobre isso. Talvez hoje as vírgulas estejam um pouco melhor posicionadas e as palavras escritas mais corretamente. Mas eu continuo Renata, e adoro lembrar disso a cada dia que descubro - ou relembro - quem eu era, e quem eu ainda sou: eu sou a mesma, só que diferente. Eu ainda sou tudo isso que guardo dentro de mim, mas sou também tudo o que esse todo me ensinou e me engrandeceu. Sou eu, e eu em abundância.

Texto de 4/12/2014

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