Como eu sei que despedidas são ruins, e como eu sei que essa talvez seja a última de todos os nossos desencontros, eu tento fotografar tudo muito bem em minha mente e coração.
Eu fixo em meu coração como é a sensação dos meus dedos nos seus cabelos. Fito bem seu olhar e falo alguma bobagem para te fazer rir - e choramos juntos, tristes por ter de dizer adeus. Registro bem seu cheiro, dou um beijo naquele cantinho do seu rosto que adoro e te abraço. Quando a saudade estiver por perto e tiver que me cobrar satisfação, eu lhe digo tudo isso que registrei muito bem nessa despedida. Eu digo boa tarde! Pode entrar, sente-se. Deixe-me te lembrar o quanto eu gostava desses detalhes nele. Ah, precisava terminar, não é? Apesar disso, precisávamos ir. E então sirvo um chá para a saudade, bem forte, para combinar com a ocasião. Tenho fotos novas, coisas novas, lembrei de mais coisas...mas se importa de sermos seletivas? Me faz bem, bem melhor medir as saudades, as palavras, as imagens. Senão já sabe...fico acabada.
É quando a saudade passa e fica, e fica, e fica e permanece que eu me canso. Não é culpa dela, ela fica confortável, esquece da hora, perde a noção do resto do mundo. Senta-se naquela minha cadeira mais confortável e acolhe-se. Eu acolho, o que mais posso fazer? E eu me canso de mim mesma.
A saudade não anda tendo meio termo, chega forte sem muito pedir licença. Eu a recebo bem, pois é amiga de velha data. Assim como eu a conheço bem, sou bem conhecida dela - se bobear, quando não nos vemos com frequência, ela se relembra de mim. E ai vem me visitar. Acho que a saudade também sente minha falta. Afinal, por quais outros motivos ela viriam numa tarde de terça-feira enquanto eu faço algo que bem indiretamente tem relação com o que talvez eu sinta falta?
Mas para me despedir da saudade, faço como? Eu dou trela, lembro bem, coloco umas músicas para tocar, dou um belo sorriso e digo que já basta por hoje...que tenho outros afazeres, que preciso coletar mais memórias, que estou indisposta. A saudade costuma entender meus motivos, mas quer tanto ajudar que permanece. Ele visita e fica, na maioria das vezes. Mas é como um bom abraço que precisava receber - é uma velha amiga que tem bons braços para abraços. Ela é tudo que sou e fui e imagino e o mais encantador é que ela sabe que é tudo isso - que sou eu mesma. Então a recebo como parte de mim mesma, e a entendo, do fundo do meu coração.
Bem vinda. Pra eu mesma. Eu mesma sou a saudade, de uma forma bonita, sou eu, fazendo um álbum colorido, ou triste, ou bobo....mas sou eu. E então eu fico eu comigo mesma e todas as Renatas que estão dentro de mim.
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