Ah, mas as férias que me esperem. Meu guarda
roupa está precisando de ajuda, está todo bagunçado. Há tempos não consigo
tomar vergonha na cara para arrumá-lo. Comecei a perceber que é a minha que
vida está bagunçada, e eu tinha vergonha de admitir e, o pior, de mudar.
Meu armário é muito grande, mas está todo
bagunçado, o espaço não está bem aproveitado e acabo me acostumando mal com
tanto espaço que me foi permitido ter. Assim como meu coração, eu acabei me
acostumando mal. Comecei a esquecer de organizar e de racionar meu espaço e
usá-lo da forma melhor para minha própria praticidade. Comecei a entregar
coraçõezinhos, cópia do meu coração original, em excesso. Distribui, para quem
quisesse, um pouquinho de tudo que tenho dentro de mim. Fui me distribuindo,
compartilhei meus sonhos, fraquezas e necessidades, e fiquei vulnerável; deixei
que todos me dessem palpites, os quais muitas vezes não conviviam bem entre si.
Comecei mesmo a exagerar na dose. Comprei briga demais. Comprei blusas demais.
Comecei a encher a caixinha de batons com sombras, assim como comecei a colocar
coisa que não devia na caixinha da lembrança e da esperança. Fica difícil se
arrumar para sair quando se está atrasada e está tudo meio que fora do lugar.
Me sinto atrasada na vida, pois não encontro a saída na hora que preciso.
Vivo me perdendo em mim mesma, e acabou que estou
aqui, eu comigo mesma, precisando de respostas novas, pois já estou cansada das
que costumava me dar. Cansei das mesmas coisas que eu costumo dizer a mim
mesma. Cansei de me olhar no espelho sem a esperança que antes vigorava em mim.
Cadê, onde foi parar? Perdi dentro daqueles meus casacos de frio que me lembram
aqueles bons abraços. Perdi em meio aquelas saias que o vento insistia em levar
nos dias de calor. Deixei naquela camiseta de dormir, escondi sob os chinelos
que calçava após o banho.
Preciso mesmo é dobrar as camisetas e secar as
lágrimas. Esticar as pernas e as calças. Desenrolar os lenços e medir as
palavras. Prender os cabelos naqueles grampos que irei encontrar em meio a
bagunça todo e soltar os sorrisos. Reciclar as jaquetas e as frases feitas.
Jogar fora aqueles papéis velhos e me lembrar de guardar os que foram e são
importantes. Preciso organizar de forma correta toda minha vida, incluindo o
armário, não como medida paliativa: preciso deixar bem em ordem a ponto de
estar pronta para comprar uma nova saia longa sem medo de caminhar firme e
segura, e de alocar em meu armário sem o problema de amassar toda essa
segurança.
Texto de 14/04/2014
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