sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Retalhos nos levam ao todo

Ah, mas as férias que me esperem. Meu guarda roupa está precisando de ajuda, está todo bagunçado. Há tempos não consigo tomar vergonha na cara para arrumá-lo. Comecei a perceber que é a minha que vida está bagunçada, e eu tinha vergonha de admitir e, o pior, de mudar.

Meu armário é muito grande, mas está todo bagunçado, o espaço não está bem aproveitado e acabo me acostumando mal com tanto espaço que me foi permitido ter. Assim como meu coração, eu acabei me acostumando mal. Comecei a esquecer de organizar e de racionar meu espaço e usá-lo da forma melhor para minha própria praticidade. Comecei a entregar coraçõezinhos, cópia do meu coração original, em excesso. Distribui, para quem quisesse, um pouquinho de tudo que tenho dentro de mim. Fui me distribuindo, compartilhei meus sonhos, fraquezas e necessidades, e fiquei vulnerável; deixei que todos me dessem palpites, os quais muitas vezes não conviviam bem entre si. Comecei mesmo a exagerar na dose. Comprei briga demais. Comprei blusas demais. Comecei a encher a caixinha de batons com sombras, assim como comecei a colocar coisa que não devia na caixinha da lembrança e da esperança. Fica difícil se arrumar para sair quando se está atrasada e está tudo meio que fora do lugar. Me sinto atrasada na vida, pois não encontro a saída na hora que preciso. 

Vivo me perdendo em mim mesma, e acabou que estou aqui, eu comigo mesma, precisando de respostas novas, pois já estou cansada das que costumava me dar. Cansei das mesmas coisas que eu costumo dizer a mim mesma. Cansei de me olhar no espelho sem a esperança que antes vigorava em mim. Cadê, onde foi parar? Perdi dentro daqueles meus casacos de frio que me lembram aqueles bons abraços. Perdi em meio aquelas saias que o vento insistia em levar nos dias de calor. Deixei naquela camiseta de dormir, escondi sob os chinelos que calçava após o banho.


Preciso mesmo é dobrar as camisetas e secar as lágrimas. Esticar as pernas e as calças. Desenrolar os lenços e medir as palavras. Prender os cabelos naqueles grampos que irei encontrar em meio a bagunça todo e soltar os sorrisos. Reciclar as jaquetas e as frases feitas. Jogar fora aqueles papéis velhos e me lembrar de guardar os que foram e são importantes. Preciso organizar de forma correta toda minha vida, incluindo o armário, não como medida paliativa: preciso deixar bem em ordem a ponto de estar pronta para comprar uma nova saia longa sem medo de caminhar firme e segura, e de alocar em meu armário sem o problema de amassar toda essa segurança.

Texto de 14/04/2014

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