O amor não tem passado. Vive numa dimensão diferente que essa que os humanos insistiram em inventar. Por isso nosso coração sente num sentir muito diferente que a liquidez da nossa modernidade - tudo tão fluido que num piscar de olhos você já se relacionou inteiramente com alguém. Mas foi inteiro ou foi completo? Há uma grande diferença. Eu sou por inteira - cem por cento Renata. Mas completo mesmo, é quando tem esse tal de amor que vai e fica, e não fica, simplesmente é. Amor é contra algumas medidas que criamos: amor não encaixa de qualquer forma, em um combinado de números.
Não é preciso falar muito difícil para entender o que digo...o amor é algo que passa e fica, e é, e permanece, de uma forma boa. Não dói - a nossa ilusão que não o temos o suficiente que machuca. Quando o machucado diz respeito ao amor, dói em nós que nem lugar específico tem, imagina se o amor então vai ter medida para se encaixar.
Sou por inteiro, e quando também sou por completo - quando há amor - eu sou eterna. Eternidade é ausência de tempo, este que não consegue abranger o amor. Não que o tempo não seja capaz de amar, afinal, nossas memórias boas podem muito bem ser filhas do tempo e do amor. Mas o amor é para além de qualquer dia, ano, meses, segundos. Eu sou eterna. Eu amo alguns na minha vida, mesmo eles já não convivendo mais comigo. Eu amei. Eu amo ainda. Claro que isso vai um pouco em contradição com o que tanto digo por ai de não se culpar pelo passado, pois somos sujeitos históricos. Mas acontece que sentimento é diferente, e eu entendo que tem uns que são além do tempo. Parece coisa de novela, e talvez também seja, mas eu acho que sentimento é assim. Claro que eles mudam, eles são mutáveis, nós somos também! Mas o requinte dos sentimentos fica, se verdadeiro ele for.
Sejamos eternos. E sem sofrer com isso...vamos assumir que amamos! Qual o problema em assumir que o amor não morre? Não morre em mim, e eu sei disso. Só disfarço que não....os finais são tão tristes e tentamos tanto nos acostumar a viver sem tal pessoa, que fingimos que não amamos mais. Que achamos que não amamos...talvez de fato não tenha sido amor, mas se foi, ele fica lá guardado. Esperando por nada, somente sendo. Não há mal nenhum saber que ele existe aqui dentro. Talvez ele fica para nos ajudar a entender algo, a aprender algo, talvez sobre nós mesmos...mas lá está ele, sentado na sala de estar do meu coração, sorrindo. E eu o convido para um café.
Conviver com as sombras talvez seja mais simples que tentar bani-las de vez do seu lugar de origem.
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