quarta-feira, 29 de março de 2017

"Primeiro, sem título"

Enquanto caminhava, vi os grãos de terra entre meus dedos do pé. O sol queimava, e a solidão estava me desanimando. Parei para sentar-me , mas ao instante em que parei, eu simplesmente despenquei. Não sentei, nem deitei, nem cai. Foi um baque. Ninguém que eu queria estava perto o suficiente para me segurar.Fechei os olhos, ainda no chão. Não aguentava mais pensar sobre os meus passos, se eu estava indo pelo caminho certo; sendo que a vegetação que me rodeava se desfalecia. “É o outono!”. O outono não dura tanto tempo assim, eu devia estar me enganando.E daí que o sol forte rachava minha boca? Não havia algo que eu realmente queria dizer.E daí que não tinha água?Eu já estava transbordando, eu estava com tudo acumulado.
Não queria culpar ninguém. Aliás, não havia a quem culpar. Só restava minha pessoa.Minha própria respiração me acusava. Meus olhos só me confirmavam que eu só estaria naquele estado porque queria.
Então,ainda com os olhos fechados, de despencar de todos os meus bolos encruados de sentimentos, eu resolvi sair correndo. Me livrei da força da gravidade , e com muitos esforços, saí dali. Fui em direção a uma flor, muito bonita, que eu já tinha visto, mas não fui atrás.Resolvi correr e ir atrás da flor. Correr, correr. Cheguei. Ela me sorriu. E de repente, num piscar de olhos não estava no mesmo lugar. Aliás, estava, mas estava com uma aparência completamente mudada. Diria simplesmente que estava mais…verde.Eu respirava melhor. Foi quando, onde estava aquela flor amarela, surgiu um par de olhos.Eles me salvaram, e realmente não estava mais cansada!

(Encontrei esse texto num tumbler antigo meu. Até que não ficou de todo mal e eu também me prometi que iria agora sempre salvar de alguma forma os meus textos antigos)

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