Se eu pudesse, eu viajaria no tempo para fazer uma única coisa simples: um backup dos textos que tive aqui. Todos. Sabe aqueles que eu apaguei, porque alguém me fez ficar doente de "amor"? Foi o caso mais grave que já presenciei. Adoeci em questão de dias, e o quadro demorou meses para reverter. O sintoma era, entre outros, apagar meus textos preferidos, bem aqueles que iriam me acompanhar nos dias de sol e frio e solidão. Tá tudo apagado, silenciado, modificado. Eu me curei, mas dói um pouco por conta dos resquícios, dos restos, dos cacos, dos montes de pedaços, dos textos perdidos que eram parte de mim. Eu tento realocar os pedaços, mas uma única partezinha insiste em não aceitar que eu mereço conserto. É a parte que lembra que não teve backup, que não temos mais nada de uma parte maior de mim, que ficou um vácuo. Essa é a parte que sente falta de si mesma.
Eu não sei me perdoar. Não sei me perdoar por ter silenciado-me. Por ter preferido os outros a mim.
Eu não só me silenciei diante dos outros, eu me calei diante de mim mesma. Eu me fiz cega e surda diante de todos os sinais que vinham bem de dentro. Era puramente Renata berrando que aquilo estava errado, mas chegou um momento em que eu estava tão condicionada a me ignorar que eu nem me deixei pensar sobre isso. Simplesmente neguei a mim mesma - e eu não sei me perdoar.
Parece bobo, eu sei. Mas foi uma importante parte sobre quem sou. E ficou como se eu quase me esquecesse de mim. E como faz pra se lembrar? Como faz para se desculpar e não se culpar por tudo isso?
Como faz para seguir em frente de vez?
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