domingo, 18 de fevereiro de 2018

Certeza oposta

Parece mais complexo e mais complicado se relacionar nessa era de tecnologias de fácil acesso. Você não tem noção de quantas vezes já atualizei meu e-mail, verifiquei na caixa de spam, olhei o status e vi a última visualização. É difícil não te ter em minha vida, mas te ter na minha vida de rede social internética. Saber que está lá, mas não está aqui. Saber que está mas não está. Pra que eu quero saber, afinal? Isso só serve para minhas saudades e meus mais bonitos sentimentos se acalmarem um pouco. Não vale de muita coisa, no final das contas. Todos os sentimentos se afloram, minhas saudades ficam maior e a esperança permanece. A esperança permanece já que acho que qualquer dia desses vai perceber que também sente saudades. A esperança vive por insistir em achar que você também sente o mesmo por mim. As atualizações acontecem por achar que me daria um sinal de vida.

Será que eu não consigo parar de pensar? Será que eu não consigo sossegar por um minutinho que seja essa cabeça tumultuada?? Cada dia mais percebo que minha saudades é de você e não de qualquer situação. Cada dia percebo que você me deixa tão à vontade e é nesse momento que não penso em nada e sossego....por que eu descobri isso tudo tarde demais? Por não conseguir  encontrar essa resposta, fico revirando meus pensamentos e todas as teorias que guardo comigo sobre a vida. Algo me diz para ter esperança, enquanto outro lado diz claramente que, se eu tenho um pingo de amor próprio, faça logo o favor de parar com essa palhaçada e entre logo em casa antes que comece a chover. Ou seja, eu sei que não me faz bem este estado, mas não consigo desistir. Essa sou eu nesse estado de perdição por sentir, sentir demais sobre tudo. Esse é aquele meu momento típico de segurar as pontas sem mostrar para ninguém que estou abalada por dentro. Essa é aquela fase de escrever muitos textos ruins só para tentar me livrar um pouco desse sentimento. Meus textos ficam ótimo em serem ruins nesses momentos de desespero e ansiedade. Eu só quero escrever, não importa o quê. Talvez daqui uns anos eu volte a ler tal texto e diga "ah, até que ficou bom" ou então admita que realmente foi desespero e ansiedade. Espero que eu posso logo conseguir ler este texto e pensar comigo mesmo "olha só o quanto essa mocinha sofreu com isso, tolinha. Isso já passou e hoje estou bem". Hoje, eu não tenho perspectiva. E eu sei que isso é grave e nada tem a ver com você. Hoje eu não tenho calma. Eu também perdi meu prazer em realizar algumas tarefas e se foi por ai também minha opinião. Já não sei opinar sobre nada, não sei me expressar, não sei direito o que se passa dentro de mim, já que eu tinha certeza há um tempo atrás e me mostraram que o outro também tem certeza, uma certeza oposta. 

Como dói essa certeza oposta. Como é doido sentir primeiro que está sendo egoísta, por acreditar demais na sua verdade e certeza. Logo depois de um tempo, envergonhada por sua prepotência. Assim, começa a chegar um sentimento chamado arrependimento. Depois, vem um misto de bagunça (se bagunça já é mistura de várias coisas, imagina um msto de bagunça) em que só dá pra sentir, já que pensar fica complicado. Então, por conta do desespero envolvido nesse momento de só sentir, o racional tenta uma última estratégia: e então vem a fase dos planos de como resolver essa situação - afinal, sou maioria racional, preciso esquematizar pontos a serem melhorados e metas a serem alcançadas para eu poder relaxar; meu racional não me deixa em paz. Enquanto estou na fase de cumprir essas tantas metas e trabalhar esses tantos pontos, vem a fase da lembrança. Ah, se a lembrança soubesse o quanto pode doer, sei que ela pensaria melhor em aparecer. Meu problema é que eu não estou muito acostumada a sentir simplesmente. Preciso entender e me provar o porque sinto. Mas no final das contas, não tem muito o que explicar. Não é mesmo? Não tenho o que explicar, eu só tenho o que sentir. Eu só sinto, simplesmente, porque percebi que não há nada a fazer sobre isso: quando se sente, se sente, e é dessa certeza a qual me refiro. 

No final, eu concluo: me desculpem, senhoras e senhores, eu sei sentir todos os sentimentos mas demoro para registrá-los em minha mente que é quem controla minhas ações. Desculpem o meu caminho do emocional para o racional, eu sei que o tráfego é lento e o caminho cheio de curvas e acostamentos. Desculpem por eu não saber interpretar bem o que sinto, e isso acarretar nas minhas decisões e posicionamentos. Desculpem por pedir permissão à minha razão sobre as coisas que devo ou não sentir. No final das contas, é isso ai. Esse é meu ato que falha toda vez que tenho tudo para acertar. Devo já ter sentido demais e hoje, uso essa tal da razão para poder filtrar e tomar melhores passos. Mas fui ao outro extremo, novamente. Me desculpem.

Texto de 05/08/2015

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