Uma hora ou outra eu ia jogar tudo fora. Talvez não tudo, deixaria uma carta em especial. Foi a melhor coisa que já recebi, e lembro muito da carta. Mas queria ainda tê-la. Tudo bem...fiz o que achei que era certo naquele momento. Ficar me martirizando não levaria a nada. Como disse, uma hora eu ia me desfazer das nossas fotos, do nosso livro de aventuras. Mas como dói e como tenho vergonha em dizer isso, que joguei fora. O que eu poderia fazer? Eu achei que lembrar só me machuca. E me machuca hoje. Por que eu não sei superar você? O que me faz andar em círculos e me faz parar em você, sempre?
A resposta é que depois de você, nunca mais achei alguém bom. Você era bom, doce. Se preocupava comigo. A gente fazia amor e chorava, de tanto amor que sentíamos. Como eu chorei ao te falar como te amo. Como te quero ver bem. Hoje em dia eu nem vejo, mas continuo querendo que você esteja feliz.
Rapaz, se eu te contasse por cada coisa doida que já passei...acho que só queria que me ouvisse e falasse que tudo fica bem, e que no final de tudo, sente muito carinho por mim. De resto, mais nada importa. Por que ando em círculos e me vem sempre você na cabeça?
Aprendi com você que nunca sabemos o dia de amanhã. Que faz bem fazer planos, e sonhar com o futuro. Que o amor pelos cachorros é algo que deve sobreviver em mim. E sair para comer e dividir comida é algo tão íntimo, que ninguém que conheci por esses tempos faz. Que música é sagrada, e faz bem em todo momento. Aprendi que a gente deve se posicionar sempre. E saber o que queremos. Aprendi que ter os mesmos valores é muito importante, e principalmente falar a mesma língua. Aprendi que nem sempre se fala a mesma língua, mas é possível (não garantido) a comunicação. E que comunicação é algo incansável.
Na próxima vida em que nos encontrarmos, quem sabe fazemos certo. Quer dizer, nos machucamos menos, convivemos mais em paz. E continuaremos amando cachorros e compartilhando comida e observando música. E, que sabe, fazer amor e chorar de tanto amor que quase não cabe no peito.
Tenho certeza que essas coisas sobrevivem por várias vidas.
Afinal de contas, eu sempre vou te amar. Obrigada por existir e por ter passado em minha vida.
Mas eu preciso te deixar ir do meu coração. Contraditório? Mas é necessário. Preciso deixar que saia da minha vida de vez. Quero esquecer seu nome. Sua presença. As coisas que me irritavam. As coisas que eu amava. Preciso deixar para trás as músicas que me lembra você. Deixar ir embora aquela minha tristeza por ter jogado a carta que me escreveu, e tudo de especial que fez, pois lembrar de você me faz mal. Percebi que é isso: lembrar de você, definitivamente, não me faz bem. Veja só como dói cada palavra aqui. Dói e, ao mesmo tempo, me preenche de amor. Como posso ainda te amar? A resposta é clara: eu sempre te amei, verdadeiramente. A gente foi de verdade. Obrigada por ter me dado isso em minha vida: verdade em que sinto. Que engraçado, se não fosse irônico, hoje eu ter certeza que era amor. Talvez eu sempre soubesse - e tira esse talvez, eu sei mesmo que era, sempre soube que te amava. Mas a gente não se encaixa. Apesar de encaixar muito, tem coisas ainda diferentes demais, ideias, sonhos, não sei. Digo isso para mim mesma, para poder te deixar ir. Sei que já sabe disso tudo que estou dizendo, e que me acha prepotente em escrever sobre nós aqui. Sei disso. Sei de tudo que achava de mim, e de si mesmo. E eu sei de tudo que achava de você, e de mim mesma. Reconhecemos no outro aquilo que temos.
E eu te agradeço. Obrigada por existir em minha vida. Agora, por favor, vá. Leve um beijo de lembrança. Uma hora ou outra, eu tinha que jogar tudo fora. Deixar ir.
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