segunda-feira, 2 de julho de 2018

Simplesmente, pertenço-me

Pra variar, me sinto culpada. Não em recuperei nada, parece. Está tudo meio ruim, mas ao mesmo tempo, está tudo bem bom. 
Essa culpa não deveria existir. Eu fiz tudo que achava que devia ser feito. Agi sempre com a razão e a emoção. Às vezes, mais razão, outras tantas emoção. Me dediquei. Hoje sei que poderia ter me dedicado mais. Ou talvez isso seja sintoma da culpa. Na verdade, se eu pudesse escolher do fundo do meu coração, preferia não ter tido você na minha vida. Apagar mesmo cada traço dessa história. Ou então, preferia que tudo terminasse naquele meu aniversário, que você estava tão estranho. Choramos, nos despedimos. Foi difícil ver você indo embora. Nossa, como foi difícil. Mas a vida foi ficando fácil e então...a saudade bateu, a gente não se esquecia, a gente se cruzava por ai e queria chorar. Voltamos? Não exatamente. Voltamos mas logo as mesmas críticas voltaram. Críticas de todos os lados. Eu me sentindo idiota, imatura, culpada, a mulher mais errada do mundo. 

E eis que tanto tempo depois, eu ainda me sinto assim. Como pode? Que poder é esse que eu entrego de bandeja para os outros? Aliás, de onde eu tirei que meus amores têm esse poder sobre mim? De me dominar, de me fazer me sentir mal por tanto tempo? 

Estou me sentindo a pior mulher do mundo porque eu me permito me sentir assim. De repente, parece que não fui nada de bom em sua vida, nem de ninguém. Sempre lidei com gente difícil, não muito bem resolvida, que não está exatamente disposta a me aceitar ou se aceitar ou que seja aceitar os outros. E então, me vejo num espelho. Devo ser assim. Aliás, eu sou. Eu que não tô sabendo enxergar. Os opostos não se atraem. Eu atraio pessoas como eu. Atraio pessoas que eu permito fazerem o que quiserem da minha vida - afinal, eu não tenho muito controle da minha vida, então deixo a esmo, mesmo sem parecer. Diria melhor: eu não sei bem ter controle da minha própria vida. Fico depositando a confiança, que teria em mim mesma, nos outros. Eis aqui meu coração, meus desejos, minhas vontades, minhas alegrias. São suas. Faça o que quiser. Mas...ninguém vive por mim.

Neste ano, desejo viver por mim mesma. Não esperar nada de ninguém, só de mim mesma. Quero me pertencer. Me permanecer. Pertenço-me. Veja só, eu sou tanto de mim mesma. Eu sou tão incrível e imensa. Fico insistindo em não enxergar isso. É mais fácil...afinal, com grandes poderes vêm grandes responsabilidades. E como dito mais acima, eu não sei bem ter controle da minha vida. Mas não há espaço para isso. Eu sou minha. E eu não devo me sentir culpada por ser quem sou. Simplesmente sou. 

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