quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Sempre.

Não se coloca ponto em título de texto, mas o ponto deste título foi para mostrar a perspectiva que tenho, sobre o que sinto. Sempre não é bem um sentimento, mas ele se sentimentaliza quando se trata de você em minha vida.

Era meu olhar que dizia por mim. Cada movimento parecia carregar uma energia grande de tudo que eu sentia. Sentia ainda sua boca, sentia ainda seu abraço, sentia seus olhos me abraçando e sua boca sorrindo na minha. Mas sentia também o abismo entre nós que meu coração insiste em tentar burlar. Tento com todas minhas forças construir pontes, máquinas ainda não criadas pelo ser humano, ou qualquer tipo de conexão. Mas chegar ao outro lado, ao seu lado, é terminantemente impossível. É incompreensível. Foi um trabalho de anos, com alguns hiatos, é verdade...mas foi, assim mesmo, um trabalho de anos. Mas ainda não aprendi a voar, não faço mágica, não me transformo em outra pessoa. 

No máximo, me transformo na Renata de 17 anos que chora num banheiro mal iluminado, se olhando através de um espelho manchado. Chorando e se olhando, dizendo para si mesma que tem força ai dentro, que vai ficar tudo bem. No máximo, me transformo na Renata que prometeu pra si mesma que não choraria por isso. Eu não chorei, ainda não caiu uma lágrima. Mas as lágrimas estão todas aqui, esperando a saudade apertar mais, esperando não me despedir destes seus olhos, esperando você ir e ficar, e ficar e ir. Seguindo seus passos, até você mudar de repente as regras e me fazer lembrar que entre nós não há só meu amor, há também aquele abismo...

Quem dera meu amor tivesse um braço um pouco mais comprido, quem dera meu amor desse um passo mais longo, quem dera que no meu abraço pudesse caber você inteiro, o abismo inteiro, os problemas todos. Quem dera eu pudesse alcançar e passar na frente do caos e da confusão, de tudo que dói, que tudo que tem incerto. Quem dera. 

Quem dera eu fosse suficiente para você, ou vice e versa. Quem dera eu pudesse conviver com esse caos, com essa confusão, com seus olhos que me engolem, que me rendem. Seus olhos continuam lindos. Não importa a distância. Quem dera eles pudessem me ver, meu coração todo aberto para você, pronto para te amar tanto quanto o tempo permitir. Sempre.

Texto do final de julho/2018



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