segunda-feira, 8 de junho de 2020

Calmaria

Difícil é admitir o que sentimos para nós mesmos. 

Nem sei bem quando que as águas se dividiram, nem sei bem em que momento eu me percebi sorrindo ao ouvir sua voz. Na verdade, essa rabisco que escrevo não será, com toda certeza, o melhor dos meus textos, pois fico boba ao lembrar de você e de sua voz. Sabe como é? Os pensamentos se cruzam, erro as palavras, bagunço tudo. Talvez seja por isso tudo que eu não saiba definir exatamente o momento em que me apaixonei por você. Simplesmente me apaixonei.

Que gostoso ler isso, que sensação única falar em voz alta, mesmo que o quarto esteja vazio ao meu redor. Eu, que tanto quero controlar as coisas, aqui estou na saga de mais um texto romântico. Só que não é apenas mais um, sinto como se fosse o primeiro. É o primeiro de todos os que vem e virão com a melhor versão da Renata que eu conheço (até então).

Quando começo a tentar me sabotar e encontrar algum problema nessa história de beleza, o universo se encarrega de me fazer ouvir sua voz, e fica tudo calmaria. Como as ondas e como os ventos e como o horizonte imenso diante de mim: todos ao mesmo tempo. E então, quando sua voz chega, o mar sossega. O mar abraça. O horizonte dança devagar, dois pra lá e dois pra cá, num embalo acolhedor. 

De prontidão, sem controlar, eu apenas sinto. As palavras saem de minha boca, pois transbordam o coração e não há sentido deixá-los - os sentimentos, essas crianças levadas -  dentro de mim. Quando me dou conta, já estão os sentimentos todos brincando no quintal; já estão todas essas crianças dando estrelinhas descalças, já estão correndo sorrindo com o vento em seus rostos e os cabelos bagunçados. Tento trazê-los para dentro, de volta à mesa, para jantar e se comportar. Mas, no máximo, consigo colocá-los à sombra e protegê-los de cruzar a linha do portão, impedindo que corram perigos que desconheço. Consigo sentar-me com eles no chão desse quintal e colocá-los para olhar a lua, ninando histórias de deusas e heróis com promessas de dias brilhantes. Com promessas de céus mais estrelados ainda. Com promessas de mais calmaria.

Simplesmente me apaixonei. 


Texto de 10/08/2018 para nunca mais.



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