Imaginei viver esse dia novamente. Um dia antes de tanto coração partido, de tanta decepção, de muitas amarguras a menos. Talvez eu ainda escultivasse mais esperança há exatos dois anos atrás. Lá, eu poderia sair de casa livremente, ir dançar num bar cheio de gente, vestida de uma combinação de roupas ousada (mas que muitas vezes estive bem perto de ter coragem de usar). Lá, eu tinha a noite inteira dançando no horizonte para mim, e o que fiz com ela?
Mas acabei de pensar que há dois anos atrás eu não estaria com meu cachorro, esse fiel companheiro, em meu colo. Quer dizer, não vale a pena voltar. Seria estranho. Seria completamente confuso. Ser cativada e não encontrar ao seu lado o que lhe cativou. Carregar algumas encrencas no coração que ainda não foram vividas. O quão maluco e, ao mesmo tempo, normal é esse sentimento?
Mas quem sabe, reviver só um dia? Quem sabe reviver só um dia para eu me lembrar como era estar com 23 anos, próxima de completar 24. Me sentindo velha chegando aos 24, sendo que daqui alguns dias terei 26....
Me questiono essas coisas e fico refletindo se não serei uma idosa bem nostálgica. Ou paranóica?
Carrego no peito muitos e muitos amores. Amor por momentos, por situações. Por gentilezas vividas, por desabafos feitos com pessoas não tão próximas, por olhares de compreensão, por caminhadas sozinhas. Amor por mim mesma, principalmente nos momentos que vi que consegui sair de determinadas situações mais firme em meus propósitos. Amor por sair mais viva de algumas situações que pareciam, aos poucos, mr matar. A dor que sinto é profunda e eu desejei desaparecer algumas vezes. Mas sempre volto atrás, lembro de alguma brecha que me traz luz.
Talvez há dois anos eu tivesse mais esperança. Há dois anos eu tinha um coração menos carregado. Há dois anos eu carregava em mim alguns dos vários sonhos do mundo. Hoje, o que carrego, de fato? O que trago comigo? Será que é só saudade, ou tem algo mais no peito?
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