domingo, 9 de maio de 2021

Implodir

Cansei de ouvir músicas que remetem a fins de amores, e então me identificar com cada palavra. Não quero mais remontar dentro de mim cenários que não existem mais, promessas que simplesmente se desfizeram por algum bom motivo. Se eu parti, se o outro partiu, motivos não devem faltar. Mas o meu processo de compreender e aceitar que foi-se é algo tão demorado, eu achava que já dava para ter superado. Quero poder ouvir As músicas sem nem sentir cócegas. Talvez só um pequeno sorriso e mais nada. Continuar caminhando como se nada fosse, como se tudo estivesse bem porque realmente está bem. Estará. 

Já ressignifiquei tantas coisas, de pantufas a carros brancos, espaços, livros, chás, músicas, bandas, palavras, viagens, estações de metrô. E ao mesmo tempo, parece que ainda estou parada no tempo, buscando algo que eu construí sozinha, idealizando algo que nunca existiu, e não existe nem sombra disso além do meu próprio coração. Que coração mais chato, sem graça, cansativo, que irritante! Me deixa em paz, que se explodam essas lembranças: não são elas que são o resumo do que sou, não são elas que me trarão algo de volta. Só me afastam mais e mais da realidade. Fica cada vez mais escuro, vou adentrando mais em mim mesma e apenas ficando mais longe da saída. A luz fica distante, parece que fico numa caverna em círculos, em sonhos, em vozes e olhares. Que se explodam! Só espero não estar junto quando a explosão de fato explodir.

Nenhum comentário: