Mas essas analogias a machucados e cicatrizes não são as mais felizes. O que eu sinto é amor, então não tem relação com esse tipo de coisa. Mas como me referir a alguém que faz parte da minha história de forma tão constante, mesmo depois de alguns anos? Quer dizer....eu que não deixo sair.
É muito difícil engolir um amor de uma vez. Temos que ir às colheradas, porque nosso corpo humano não suporta amores imensos de uma vez. Os anos vão passando e vou, aos poucos, internalizando esse amor engolindo e colocando bem dentro de mim onde ninguém vai encontrar. Mas eu sei o caminho até lá, e às vezes dobro a esquina que me leva até nossas lembranças. Todo vez que tomo esse rumo, eu me arrependo, toda vez! E então volto ao meu caminho mais comum, rotineiro, como se nada tivesse acontecido. Mas a verdade é que ainda estou engolindo e digerindo esse amor. Ainda estou tentando passar por cima, ou fechando a ferida e cutucando a cicatriz, ou seja lá qual outra expressão é mais apropriada aqui. Às vezes parece que tenho 19 anos novamente e sinto tudo de novo, com todas as falhas que jovens com 19 anos podem cometer.
Queria não ter jogado tudo fora, para que eu pudesse sentir um gostinho de como era e ir dormir em paz. Mas eu joguei e o que me resta são lembranças do meu coração, as quais insisto para deixá-las bem escondidas onde ninguém entra. Mas eu sei que estão lá. E olha, ainda nem senti tudo que eu sei que posso sentir. Sei que ainda tem muito amor para dar, mas talvez não seja mais para você nessa vida.
Não sabe como é estranho ver você tocando violão, bem aquela música que foi a primeira que me lembro de ver você tocar. Que estranho ouvir qualquer música dessa banda (talvez a mais famosa do mundo?) e pedir pra trocar por qualquer outra, ou então entrar num estado de mantra (repetindo: é só uma música, não um telettansporte) para não chegar a ver o quão funda é a tal dessa cicatriz.
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