terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

De novo, você

Relendo meus textos, procurando um pouco de mim mesma. E então me questiono se você ainda lembra que eu gosto de escrever. Se você lembra de como eu gostava de escrever sobre nós, sobre você, sobre como eu me sentia, e sobre todos os sentimentos que cercam a vivência do amor: paixão, esperança, raiva, ciúmes, solidão, músicas, alegria, incerteza, certezas, arrependimento, carinho, ternura, choros, perdão, recomeços, certezas, amor. 

Qual a utilidade de eu saber se você se lembra ou não? Qual a necessidade de você lembrar disso? Deve ser o mercúrio retrógado, meu coração criando ilusões sobre o passado, vendo tudo de forma distorcida. Distorcendo o quanto era recíproco, o quanto é importante para mim como é para você. E nem deveria mais ser importante nesse nível. Mas apenas...continua existindo. 

As coisas que acontecem comigo...elas acontecem e quando tudo passa, ou quando tudo está acontecendo, tudo que eu quero é sentar a sua frente e te contar. Quero te escrever e te dizer que estou assim, que eu consegui isso, que está acontecendo isso, que conheci tal pessoa e parece que dessa vez vai dar certo. Até isso quero te contar, porque você está para além de qualquer rótulo de relação que existe. Sei lá te rotular, sei lá explicar todos os choros que tivemos, que tive, que teve. Sei lá explicar tudo isso que sinto quando lembro de você. Você é muito especial mesmo para mim, e parece que pelo menos uma vez ao ano eu venho aqui, sento-me a me ponho a escrever sobre como você é você e é especial. 

E eu sei hoje que você é especial, e eu já sabia antes também. Mas a pouca idade, o intenso amor, os grandes sonhos...esse tanto fez com que criássemos algumas distorções. Tantos questionamentos....será que a gente se fazia bem mesmo? Não sei. Só sei que foi especial, e eu estou aqui com medo de postar esse texto porque, mesmo eu acreditando que mais ninguém entra e o lê, mesmo eu sabendo contar nos dedos quem pode, talvez, ler isso, mesmo assim....eu tenho um grande vergonha de admitir que tudo isso está vivo aqui. Vergonha porque não quero que pensam que eu desejo que você volte, que você fique comigo. Não é exatamente isso, é incrivelmente complexo. Não torço contra os rumos que sua vida está tomando, não quero terminar ou começar nada. Não quero exatamente as coisas de volta. Não é isso! Só queria poder viver um outro universo em que nós acertamos e fazemos as coisas se ajustarem, em que fazemos mais terapia e entendemos o que é afinal essa coisa maluca que existiu (e eu nem falo no presente porque sei que isso tudo é algo que eu construí na minha cabeça, afinal você está vivendo sua vida!) entre nós. 

Eu quero verdadeiramente que você seja feliz, e tenho que começar a admitir, depois de tanto tempo, que não sou eu que te faço feliz. Mesmo eu querendo verdadeiramente, eu sei que não sou. E está tudo bem. Vou vivendo daqui. Entendendo, aos poucos, que grandes amores estão para além de qualquer rótulo que eu vivo buscando em criar e usar. Ou talvez seja um rótulo maluco de uma visão distorcida de tudo. Mais provável que seja isso. É, é isso. Preciso de mais e mais terapia....me desculpe. 

Mesmo com vergonha, posto porque acredito que quem me lê vai me julgar, mas me julgar em silêncio. Se é que alguém lê....se é que não estou apenas falando com as paredes. Eu já disse isso: escrevo para mim mesma. Daqui um ano vou estar me relendo buscando me entender. Vou me reler e dizer "de novo, você".

05/11/2021


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