Curiosa para saber quem mais vem até aqui neste blog (que nos meus tempos mais dramáticos chamava de "blog falido", pobrezinho. Não faliu não, aqui tem muito sobre quem já fui e quem sou). Quem mais estaria interessando em ler sobre tudo isso que guardei e guardo em mim? Quem mais estaria interessado ainda em me ouvir, e visitar meu coração por dentro, tomar um chá para aquecer o corpo, dar umas risadas para aquecer a alma? Por favor, fale comigo. Eu preciso saber.
Ultimamente me coloco como vítima do mundo, como alguém que não merece viver o melhor da vida, sendo que já conhece e sonha com este melhor. Mas parece que não estou vivendo tudo isso! Por que esse sentimento tem sido constante? Sonho em desistir do trabalho, diminuir a quantidade de coisas que possuo, colocar tudo numa mala e sair por ai. Visitar lugares, morar em outros (e sempre com o Fred, porque ele é meu cachorro e não sei viver sem ele. Em nenhum cenário eu me separo dele). Quero ver mais o mar, quero conhecer novos restaurantes e comidas gostosas, quero sentir mais a música ao vivo, quero dançar e me divertir, quero me arrumar e me sentir bonita, quero conhecer pessoas e suas histórias, quero ler mais e ter vontade de fato de ler, quero aprender coisas novas, quero ser meio que outra pessoa. Talvez eu já seja essa pessoa que quero ser, mas de onde estou, não me vejo sendo de fato. O que eu quero da minha vida, afinal? Talvez seja comprar uma bicicleta e perder o medo de dirigir na cidade. Ou quem sabe morar do lado do metrô e viver se deslocando mais facilmente por essa cidade incrível na qual moro. Mas o que estou vivendo? Vivendo apenas a rua que moro, a rua que trabalho, a rua do mercado que vou. Não que não goste dessas ruas, mas queria conhecer mais outras ruas. Queria me sentir mais em casa na casa em que estou. Mas não me encaixo, não me vejo aqui.
No silêncio da noite, às vezes eu me escuto e me sinto sozinha e ai me sinto em casa. O chão que toco é meu, esse sofá tem minha energia, essas prateleiras de livros existem dessa forma, cheias, por mim. Sou eu. Mas me deito na cama e não me sinto confortável, não acesso o sentimento de satisfação por ir dormir na minha cama. Não sinto minha energia, e isso é uma das coisas mais estranhas que já senti. Me sinto em constante alerta. Não pertenço a este lugar. Meu lugar não é aqui. Meu corpo me dando indícios, meus pensamentos não sossegando um minuto, e eu insistindo porque, talvez, eu esteja errada. Ou talvez...eu esteja certa. Já se permitiu pensar assim? Não, nunca. Não posso aceitar que estou certa. Esse cenário é assustador demais.
Talvez me permita por alguns minutos mas, quando exponho isso, me sinto como uma criança incapaz de realizar qualquer passo posterior. Me sinto como uma criança que está perdida, perdida e sozinha numa casa cheia de quartos e sem luz, numa noite escura. Me sinto andando pelos corredores e chegando em cômodos em que a luz não acende. Como parece que a casa não é minha, não reconheço onde estão os móveis e, por conta da escuridão, acabou batendo o dedinho na quina nestes desconhecidos. Bato o dedinho, o joelho, caio, me bagunço toda. Não vejo. Não vejo! Não enxergo, e não sei como faz para acelerar o tempo e fazer a noite amanhecer logo, para que o sol me ajude a ver a saída. Cadê o sol? Cadê esse relógio? Deve estar quebrado!! O dia não chega, a noite fica, o sol não desponta. A cama não me acolhe, e eu só fico a sonhar e a sonhar, sem agir, sem sair, sem amanhecer, sem saber para onde vou, como vou, se devo ir. Caminho sem direção, sem certeza, sentindo que deveria ficar e que algo está errado.
Texto de 30/08/2024
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