Movimento. Aquele cambalear comum. São meus os olhos cansados fitando o visor do metrô, mas são eles também a porta de uma mente mais preocupada com o horário descrito errado. Parece que o horário errado representa muito mais que um simples atraso. Parece me despertar aquilo tudo que já sentia mas ainda não havia escrito sobre: aquela sensação de estar no tempo errado, de estar vivendo errado, de estar fazendo algo diferente do esperado. Esses olhos cansados encaram a verdade. A verdade que concluo então é que eu nasci para renascer, já que não me sinto toda hora no local nem no momento certo. Passo após passo, situação após situação eu me sinto sempre me refazendo, me adaptando. Cada dia tomo mais e mais decisões e não fico parada. Posso não parar, mas meu coração sente-se um tanto quanto despreparado por acumular tantas histórias com finais não tão bonitos, apesar de aprendizados muito valiosos. Mas do que vale isso tudo, então?
Eu só me cansei de finais. Quero recomeço, quero renascer todos os dias, mas não ter que lidar com mais finais inevitáveis. Não aceito mais começar algo que sei, bem lá no fundo, que vai embora. Por isso, evito de começar um novo livro. Mas eu ainda procuro nas estantes alguns instantes que me preencham, e que me façam ficar. Quero poder estar e permanecer como a calma de alguém que, num domingo, sabe que pode permanecer na cama até a hora que quiser, e só se levanta para ir ao banheiro ou colocar o próximo disco que ouvirá por inteiro. Permanecer como alguém que tem paciência mas a certeza que vai viver tudo que sabe que merece , assim como alguém que tem um bom dia, mas mal pode esperar por uma boa xícara de chá e sua cama. Além de permanecer, quero permanecer em movimento. Me deixe ficar aqui enquanto eu vivo o que dizem que preciso viver. Em silêncio, vou entendendo o que devo ou não fazer, o que vale ou não a pena. E além de permanecer, e muito muito mais que permanecer, quero mesmo é pertencer. Pertencer a uma memória, a uma boa história que ficou marcada, pertencer a um grande amor que saiba que eu só quero, afinal, permanecer. E então, me compadeço de tanto amor que sinto e permaneço...pertencendo a mim mesma.
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