quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Ainda sou eu mesma?

O que a Renata de 14 anos diria a Renata de 24? 

A brisa era aquela de sempre. O sol estava se pondo, e o pôr do sol era um dos momentos favoritos. As nuvens estavam pinceladas, pinceladas como se soubessem o que está por vir, como se falassem "aquieta o coração menina. O melhor está por vir". Nunca duvidou-se de uma nuvem que aparecesse no céu naquele momento. Sentada diante daquela tela, daquela obra de arte, ali estava sozinha, mas com as nuvens. Sozinha, com as nuvens e com os tantos sonhos, e letras de música, e textos dramáticos e intensos, e lições por fazer, e frases nos rodapés dos cadernos, dos livros, e as canetas espalhadas. Às vezes eram os pincéis que estavam espalhados e sobravam algumas manchas de tinta na mesa de vidro. E tantos e tantos textos iniciados nos rodapés - é importante enfatizar isso. Ali, contemplando a vista: as nuvens, a luz rosé que banhava o céu azul, o fundo azul dessa tela maravilhosa. Contemplando a vista, a cabeça apoiada nas mãos, os óculos um tanto sujos, a franja um pouco no rosto, o som dos pássaros. 

O som dos pássaros. A paz. A calma. A tela em azul e rosé. A solitude e o imenso amor pela vida e por si mesma. Os sonhos. E o amor.

Talvez seja isso que eu busco nos meus dias. Talvez esteja procurando por mim mesma. Como faz para voltar a ser aquela que confiava em dias melhores, apesar de qualquer frase de pessimismo?  Onde resgatar aquela jovem de 17 anos que militava tanto, que procurava respostas e perguntas, que tinha tanta vitalidade e vontade de ser si mesma? Aquela que sentia que o mundo tinha jeito, que achava que dava pra impedir o aquecimento global,  que achava que cada ação contava no universo, que terminava livros, que comentava livros, que escrevia sobre cidades, que criava contos, que acreditava no amor?

Mantenho-me no fazer planos, mas talvez não saiba mais acreditar que o amor pode ser vivido, que é isso que faz a vida valer a pena. E que o vento (ou o universo, a vida, Deus, a Fé) se encarrega de trazer os dias melhores.

Onde fui parar? 




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